Redes Sociais no Recrutamento: dois ângulos

24 de Outubro de 2016

O mundo empresarial em que vivemos mudou e não pode ser comparado com o mercado de há dez anos sequer, quanto mais com o de há vinte ou trinta. Hoje em dia já não se procuram anúncios de empregos em jornais, já não se enviam cartas registadas para possíveis empregadores e já não se entregam CV´s em mão. Num mundo com pressa e sedento de resultados, a era da digitalização veio para ficar. Mas qual é o ganho real e o resultado a médio prazo numa gestão assente na digitalização?

Para as empresas o ganho é evidente. Poupam tempo, custos e têm acesso a uma rede diversificada de candidatos, no que toca à diversidade e geografias de candidatos alcançados. A crescente aposta das empresas em investirem internamente nas áreas de recursos humanos, desde o recrutamento às temáticas de desenvolvimento, engagement, compensações e benefícios, vieram ainda trazer uma poupança adicional de tempo na gestão dos processos de recrutamento, permitindo alimentar bases de dados internas e com mesma flexibilidade que os seus parceiros aceder a bases de dados virtuais credenciadas como as redes sociais.

Mas a médio prazo o que têm as empresas a ganhar? O tempo que se poupa no recrutamento permite aceder ao candidato chave para a função, ou dar apenas a ilusão à empresa de que num ato de investidor se encontrou um elemento que rapidamente dará retorno à organização? Esse candidato vive a empresa, está emocionalmente ligado à empresa?

A digitalização acelerou sem dúvida um sem fim de processos, mas “roubou” espaço ao contacto pessoal, à conversa, à validação criteriosa do perfil do candidato ajustado ao perfil da empresa, ao encontro de vontades, à emoção e ligação umbilical às empresas que ditou nas gerações anteriores o espaço para “pensar em carreira para a vida”.

Como em tudo são as empresas que aqui ditam a escolha, e acredito que como os ciclos que terminam voltaremos a sentir falta de um recrutamento mais tradicional, mais consistente, mais moroso mas mais real e sem dúvida mais pessoal.

Assim no paradoxo inicial entre a crescente digitalização e o recrutamento tradicional tenderei a concluir que nem tudo é ganho, nem tudo é perda, mas que para vivermos em pleno as organizações teremos sem dúvida que encontrar mecanismos que evitem a robotização das pessoas e das empresas, este é o perigo da digitalização.

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